O check sound acabara e já estava quase na hora de abrir os portões e com os ingressos nas bolsas, descemos a arquibancada (hoje são numeradas) e nos posicionamos na pista (o ingresso que havíamos pago  e que guardaríamos para sempre). Quando os portões abriram foi um empurra-empurra e ao nosso lado se posicionou uma menina que grudou na grade e que era a cara da Estela (chorou quando dissemos isto). Não havia esta de pista Prime, logo, quem pagou pela pista poderia circular livremente e dependia apenas das pernas para alcançar  e ficar perto do palco (eu acho mais justo e mais barato). Até a hora do show foi um martírio: cadeirantes passavam por cima de nossas cabeças (não entravam por entrada separada, nem tinham lugar reservado) e xingavam e diziam que o cara que faz um show deveria pensar nas pessoas (ai, Jesus!) [N. da Ed.: Voltei roxa para casa]

Mas e daí? Quando as luzes  se apagaram a dor nas costas sumiu e os acordes iniciais de Drive My Car ressoaram, ele estava ali bem na minha frente. Cantei todas as músicas com tudo. Pulei o tempo todo, chorei muito nas baladas. Estar frente a frente é realmente especial, você interage com o artista, você sente a vibração dele.  A acústica do Pacaembu é maravilhosa! Todos pareciam uma grande nação cantando não apenas um  hino, mas vários hinos de várias gerações. Não era a primeira vez que vi Paul, mas sem dúvida, este foi o show da minha vida. O show do Pacaembu. Para mim o melhor set list de todos. Tudo era a favor: a minha juventude, não estudava, tinha mesada, pensão, não trabalhava ainda, ficava ouvindo os Beatles o dia inteiro. Só me vestia de anos 60 (quando nem era moda).Sabia a letra de todas as músicas do “Lp das perninhas” (como minha irmã chamava o Off the Ground), e dos Wings. Mas eram as canções dos Beatles que faziam todos cantarem: jovens e crianças, adultos, senhores e senhoras( ainda predominavam). A cada tentativa de falar português “Vocês querem dançar ?”, “as páginas voadoras” de Paperback Writer, a toalha azul que jogou e pegamos um pedaço (sofremos). Cada um desses momentos marcaram demais a minha juventude e mesmo depois de ter assistido a outros de Paul, jamais esquecerei deste.

Ao final, minha amiga e eu, ainda com lágrimas nos olhos, achamos um monte de revistas com fotos da turnê New World Tou, e começamos a recolhê-las do chão, algumas estavam despencadas, mas foram guardadas por muito tempo (uns dez anos, até estragarem). Era como um presente, pois não pude pegar ao entrar (pois não entramos pelos portões).

Segue Set List do show:

 

  1. Drive My Car
  2. Coming Up
  3. Looking For Changes
  4. Jet
  5. All My Loving
  6. Let Me Roll It
  7. Peace In The Neighbourhood
  8. Off The Ground
  9. Can’t Buy Me Love
  10. Robbie’s Bit (Robbie solando)
  11. Good Rockin’ Tonight (do Elvis)
  12. We Can Work It Out
  13. I Lost My Little Girl (primeira canção composta por Paul na adolescência)
  14. Ain’t No Sunshine
  15. Hope Of Deliverance (o maior sucesso das rádios daquele ano)
  16. Michelle (AIAI)
  17. Biker Like An Icon
  18. Here There And Everywhere
  19. Yesterday
  20. My Love
  21. Lady Madonna
  22. C’mon People
  23. Magical Mystery Tour
  24. Let It Be
  25. Live And Let Die
  26. Paperback Writer (e as páginas voadoras)
  27. Back In The U.S.S.R.
  28. Penny Lane
  29. Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band
  30. Band On The Run
  31. I Saw Her Standing There
  32. Hey Jude (sempre amei esta, mas chorei e xinguei quando começou a cantar, pois sabia que estava terminando. Meu consolo era que ainda teríamos o show de Curitiba, mas esta é outra história….

Fontes:

http://minutohm.com/2010/11/06/paul-mccartney-sao-paulo-03dezembro1993-historia-do-meu-primeiro-show/

http://contandohistoria1977.blogspot.com.br/2013/08/o-brasil-e-o-mundo-em-1993-cpi-revela.html

https://minutohm.files.wordpress.com/2011/12/paul-1993-016.jpg

PAUL IN SAMPA paul3 paul-1993-reuters paul-mccartney-e28093-1993-015-e28093-jornal

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